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| A Estácio no Carnaval de 1992
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“Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo no Brasil”
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São essas pinturas extravagantes, estas esculturas absurdas, esta música alucinada, esta poesia aérea e desarticulada. Maravilhosa Aurora!”. Nesta década, além desta Semana que “faz ruir” antigas formas acadêmicas, a discussão política adquire uma conotação ideológica. Aparecem a Direita e a Esquerda. O Modernismo Político Social.
O enredo de 1992 prestou uma homenagem aos 70 anos de Modernismo no Brasil, com fantasias e alegorias inspiradas na estética do movimento, configurando-se, portanto, em um enredo fundamentalmente visual. Figurinos de criatividade e originalidade feitos com materiais de carnaval e alternativos deram a este carnaval da Estácio um caráter moderno e sofisticado. Na festa de lançamento dos Protótipos a Escola apresentou lindas fantasias, deixando preocupados alguns dirigentes de agremiações co-irmãs. O espetáculo foi completo com a apresentação impecável do então intérprete oficial Dominguinhos do Estácio e da famosa Bateria Medalha de Ouro da Estácio de Sá. |
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O Desfile
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Mostrando naquele momento a mesma animação que a fez campeã no Sambódromo. Componentes e torcedores compareceram em tão grande número à comemoração que já não cabiam na quadra e fizeram a festa se espalhar pelas imediações. |
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E tudo acabou em samba
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Biscoitos finos para a arquibancada |
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"Um dia a massa irá comer do biscoito fino que fabrico." A profecia de Oswald de Andrade se cumpriu no desfile da Estácio de Sá de 1992. Temia-se que o enredo "Paulicéia desvairada - 70 anos de Modernismo", de Mário Monteiro, sobre a Semana de Arte Moderna, fosse intelectualizado demais. Mas valeu a pena arriscar. A Estácio foi campeã (pela primeira vez), ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola (e em mais quatro categorias, inclusive enredo) e levantou as arquibancadas. É verdade que o público vibrou em parte por causa do refrão fácil e marcheado "Me dê, me dá/ Me dá, me dê/ Onde você for/ Eu vou com você". Também pesou a voz forte do puxador Dominguinhos do Estácio. Mas não foi só isso. Monteiro e o figurinista Chiquinho Spinoza aproveitaram o que o Modernismo tinha de mais popular. A comissão de frente usava fantasias de arlequim e colombina, inspiradas em "Paulicéia desvairada", de Mário de Andrade. Um dos carros alegóricos representava o "Trenzinho do caipira", de Villa-Lobos, com crianças acenando das janelas. Foi uma bela celebração do homem brasileiro, que - como diz o samba de Djalma Branco, Déo, Maneco e Caruso - é "malandro, bonito, sagaz e maneiro". fonte: http://www.tribunadonorte.com.br/ |
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O desfile campeão da Estácio na imprensa:
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Quarta-feira, 4 de março de 1992 |
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Cinco mil comemoram vitória da Estácio na quadra |
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Houve uma verdadeira euforia quando o puxador do samba-enredo, Dominguinhos do Estácio, chegou à quadra, às 17h55, carregado por seguranças. "Não dá para definir a alegria. É demais", gritava Dominguinhos, emocionado, sem esconder as lágrimas. "É muita emoção. Esse grito de campeão estava entalado na garganta há 20 anos", disse a porta-bandeira Cenilda, que chegou a desmaiar antes de sair o resultado do último quesito. Márcia, filha do bicheiro José Petrus, o Zinho, que saiu como destaque no carro abre-alas, não conseguia parar de chorar. "Eu tinha certeza de que o título seria nosso", disse. A diretoria da escola providenciou rapidamente 500 caixas de cerveja e dez mil litros de chope para distribuir de graça. Difícil foi organizar as filas. O vice-presidente Gil Salgado traduziu a emoção da comunidade: "Foram muitos anos de espera". ©Agência Estado.Aedata |
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Quarta-feira, 4 de março de 1992 |
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Estácio é campeã pela primeira vez
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A Acadêmicos do Grande Rio e a Unidos da Ponte, vencedoras do Primeiro Grupo, desfilarão ano que vem no Grupo Especial. Patrocinada pelo banqueiro do jogo de bicho e porta-voz da contravenção, José Petrus, o Zinho, a Estácio fez um bom desfile que a deixou entre as mais cotadas. Com o enredo "Paulicéia desvairada - 70 anos de modernismo do Brasil", do carnavalesco Mário Monteiro, que retrata os 70 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 - e um samba com uma linha melódica sofisticada, com citações do "Trenzinho Caipira" de Villa Lobos, a Estácio de Sá apresentou ainda uma bela comissão de frente, formada por 15 arlequins e pierrôs com pernas de pau que não tropeçaram no samba. A vitória foi ruidosamente comemorada não só pelo presidente da escola, Acyr Pereira, como pelo puxador do samba, Dominguinhos do Estácio e por Luciana Sargentelli que sangrou o pé ao sambar com grande entusiasmo em um dos carros alegóricos. "Tinha certeza de que iríamos ganhar" - disse durante a apuração na Praça da Apoteose. A tradicional Mangueira ficou em sexto lugar e a Beija-Flor de Joãozinho Trinta, que prometeu deixar a escola, foi a sétima colocada. A escola de Nilópolis perdeu pontos por apresentar um casal com a genitália de fora. A Unidos do Viradouro, que apresentou um desfile rico em fantasias, mas teve uma série de problemas com seus carros alegórios, um dos quais se incendiou em plena Praça da Apoteose, praticamente no final do desfile, ficou em nono lugar, sobretudo porque perdeu pontos no quesito cronometragem. Mesmo que não tivesse perdido 13 pontos a Viradouro não ganharia o Carnaval e ficaria em terceiro lugar, empatada com a Imperatriz Leopoldinense. O mesmo teria acontecido com a Beija-Flor: mesmo que não perdesse seus dois pontos por não cobrir as genitálias ficaria em quarto lugar, ao lado da Portela. O bicheiro Castor de Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, vice-campeã do Carnaval, cercado por cerca de dez seguranças, disse que a escola foi prejudicada pelos jurados nos quesitos comissão de frente, samba-enredo e harmonia. O sonho de ser tricampeã esbarrou na originalidade e criatividade do carnavalesco Mário Monteiro, que com US$ 600 mil, US$ 200 mil a menos do que a Mocidade, venceu o Carnaval. O presidente da Beija-Flor, o bicheiro Anísio Abrahão David, também inconformado com a perda de dois pontos no item obrigatoriedade, por ter desrespeitado o regulamento da Liga e ter colocado na avenida um casal, Torez Bandeira e Ana Darce, completamente nus, reclamou da perda de pontos nos quesitos fantasia, alegorias e adereços e comissão de frente. A reclamação maior de Anísio referia-se ao julgador Jocie Mendes, que deu nota sete à Beija-Flor no quesito alegorias e adereços. Os presidentes, diretores e componentes das escolas de samba Tradição, Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos de Santa Cruz choravam a queda das escolas do Grupo Especial para o Primeiro Grupo. Ao contrário do que se esperava, não houve incidentes entre as torcidas da Mocidade Independente de Padre Miguel, a segunda colocada, e da campeã Estácio de Sá, embora dividissem a mesma arquibancada. A Polícia Militar enviou para o local duas tropas de choque de 20 homens cada uma. ©Agência Estado.Aedata |
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Estácio foi fundada em 1955 |
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Rio, 04 (AE) - A Escola de Samba Estácio de Sá, campeã do Carnaval carioca, com o enredo "Paulicéia Desvairada - 70 anos de modernismo no Brasil", é na realidade a Escola de Samba Unidos de São Carlos, fundada em fevereiro de 1955 através da fusão de três outras: Paraíso das Morenas, Recreio de São Carlos e Cada Ano Sai Melhor. Há cinco anos, a escola do Morro de São Carlos mudou de nome, passou a se chamar Estácio de Sá e a desenvoler enredos mais alegres sob a batuta da carnavalesca Rosa Magalhães, hoje na Imperatriz Leopoldinense. O carnavalesco Mário Monteiro procurou manter este ano esta linha desenvolvida por Rosa e que lhe valeu o título de campeão. Monteiro explicou que ao optar por enredo histórico e samba-enredo tradicional seu objetivo era o de diferenciar a Estácio de Sá das demais componentes do Grupo Especial do Rio, sem que isso prejudicasse a comunicação com o público e retirasse a emoção dos componentes da escola. Campeã do Carnaval de 1967, ano em que foi comemorado o quarto centenário do Rio de Janeiro, com o enredo "Lendas e Costumes do Brasil", a Estácio, que nesta época ainda era Unidos de São Carlos, há muito não conseguia uma vitória. Formada por representantes do Morro de são Carlos e sediada nas proximidades da Vila Mimosa, zona do baixo meretrício do Centro da cidade, a escola é financiada pelo bicheiro José Petros, o Zinho, porta-voz da contravenção no Rio. Seu presidente, Acyr Pereira Alves, empresário do ramo de acrílico, é ligado à comunidade do Morro de São Carlos e não nega o apoio de Zinho à escola. ©Agência Estado.Aedata |
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Revista Manchete, carnaval 92: |
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| Se os modernistas da semana de 22 estivessem lá, seriam os primeiros a gritar: "já ganhou!" | ||||
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