%@ Language=VBScript%> <% exibe_logo=Request.QueryString("logo") %>
![]() |
|
||||
Como
escola, a Deixa Falar desfilou pouco - apenas nos carnavais de 1929,
1930 e 1931. Nem
chegou a participar do primeiro desfile oficial, organizado
pelo jornal "Mundo Sportivo", em 1932. No entanto, foi referência
para o surgimento de outras agremiações no Rio de Janeiro,
inclusive no próprio morro de São Carlos, base da atual Estácio
de Sá. Lá, foram fundadas outras escolas que faziam sua folia
na disputa pelo título, como "Cada Ano Sae Melhor", "Vê se
pode" (posteriormente "Recreio de São Carlos") e
o "Paraíso das Morenas". |
||||
Os
laços, quase consangüíneos, falaram mais forte
e, em 1955, essas escolas se uniram para formar a Unidos de São
Carlos. Desde então, o efeito ioiô, aquele sobe-e-desce de
grupos, pontuou a história da São Carlos, mas nem por isso
deixou de fazer bonito no desfile principal. Dois exemplos são notórios
e foram reeditados recentemente: "A festa do Círio de Nazaré",
em 1975, e "Arte Negra na Legendária Bahia", de 1976,
que revelou o talento do compositor e intérprete Dominguinhos do
Estácio. |
||||
Em
1983, mais uma mudança: a Unidos de São Carlos vira
Estácio de Sá. Suas cores, antes azul-e-branca, voltam a
referenciar a herança direta da Deixa Falar, e o "pavilhão
do amor" balança novamente vermelho e branco. A troca no nome
era para adequar a escola à sua comunidade, que já contava,
na época, com integrantes e simpatizantes que iam além das
fronteiras do Morro de São Carlos. |
||||
Em
sua nova fase, a Estácio, já no desfile principal, tomou
características de uma escola leve, descontraída e irreverente,
mas nunca emplacando uma posição de grande destaque - no
máximo, o quarto lugar com a primeira versão de "O tititi
do sapoti". Mas, em 1992, veio a surpresa que ninguém esperava.
Quando todos davam como certo o título para a bicampeã Mocidade,
o Leão corre por fora e abocanha o título, com o enredo "Paulicéia
Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil". |
||||
Este é o único
campeonato da Estácio de Sá no
Grupo Especial, que, em 1997, sofreu um baque e retornou ao Grupo de
Acesso A. Chegou a ir para a terceira divisão do samba, o Acesso
B, em 2005. Sua retomada ascendente, que culmina neste retorno à elite
do samba, reflete o espírito do torcedor estaciano, cantado em
seu samba-exaltação, "Pavilhão do amor",
composto por Jair Guedes, Toninho Gentil, Soneca, Jorge Magalhães
e Marcelo Luiz: |
||||
|
A saudade apertou
E eu voltei, e eu voltei Pra ficar ao seu lado Com um nó na garganta Meu peito se zanga O sentido calado Mas corre nas veias Esse sangue vermelho Que me faz explodir Seu branco é o encanto Eu visto esse manto, e vou por aí A Estácio é isso aí É, a esperança continua Amor, amor, amor Sou teu poeta pelas ruas O meu coração se abriu em flor Tu és o pavilhão do amor |
||||
| ESTÁCIO - O VERDADEIRO BERÇO DO SAMBA | ||||
|
||||
O início resume-se nas destacadas figuras
de Mano Edgar, Bucy Moreira, Alcebíades Barcelos (Bide), e seu
irmão Rubens, Armando Marçal, Ismael Silva, Baiaco, Brancura
e tinha como frequentador Juvenal Lopes ("Nonel do Estácio
ou "Juju das Candongas"), que mais tarde se mandou para a Mangueira,
onde chegou à presidência e Heitor dos Prazeres. |
||||
Foi ali que surgiu a "Deixa Falar", considerada
a Primeira Escola de Samba. Criada no dia 12 de agosto de 1928, no nº 27
da Rua Maia de Lacerda, na casa de um sargento da polícia militar,
pai do saudoso Bijú, senhor Chystalino. Como nas imediações
funcionava uma Escola Normal, que formava professores para a rede escolar,
Ismael Silva resolveu batizar seu grupo de Escola de Samba, já que
formaria professores de samba. A Deixa Falar durou pouco tempo, desfilando
na Praça Onze nos carnavais de 1929, 1930 e 1931, e nem chegou
a participar do primeiro concurso das Escolas de Samba do Rio, organizado
em 1932 pelo Jornal Mundo Sportivo pois preferiu passar para a categoria
de rancho carnavalesco. No entanto, foi uma referência para o surgimento
das outras Escolas. |
||||
A maioria não se misturava muito". Quem
saía dentro da corda mesmo eram o baliza Gaguinho, a porta-estandarte
Caboquinha, o Chico Macaú que encourava barricas de vinho para
a bateria reforçada do Bloco da Carestia, em cuja casa havia Umbanda,
Congo e Caxambu e a gente que vinha dos trabalhadores do cais, operários,
artesãos, gráficos e ambulantes aos quais se juntavam malandros,
cafetões e boêmios em geral. Entre as cabrochas: Anastácia
do Nino, Celeste, Rosália, Odetinha, Agripina, Julieta, senhoras
de respeito que faziam o coro de canto ou a fila de baianas. Entre os
malandros batuqueiros, Bujú Velho, Gaguinho, Paulo Grande, Dadá Mulato,
Alemãozinho, Neca Bonito e o maior malandro de todos os tempos
do Estácio, Nino da Anastácia. Tinha ainda os mais esquecidos,
os importantíssimos homens da corda como Jorge Burundú (da "Cada
Ano Sai Melhor"), João Pimentão (da "Paraíso
das Morenas"), e o Milú (da "Recreio de São Carlos"),
gente que fazia questão de se expor, brigar, sofrer e carregar
aquela estiva toda, ida e volta. |
||||
Após a "Deixa Falar" surgiram várias
agremiações no bairro do Estácio como "Cada
Ano Sae Melhor", "Sem Você Eu Vivo", "Vê Se
Pode" que se transformou na "Recreio de São Carlos", "Paraíso
do Grotão" e "Boi Azul". Em 27 de fevereiro de
1955 surgiu a "Unidos de São Carlos", criada a partir
da fusão das escolas "Cada Ano Sae Melhor", "Paraíso
das Morenas" e "Recreio de São Carlos". Em 1983,
a "Unidos de São Carlos" passou a se chamar Estácio
de Sá. |
||||
A primeira Escola de Samba
do país nasceu
em 1928, criada por uma turma de bambas como Ismael Silva, Bide, Marçal,
Baiaco, Brancura e Mano Edgar. Eles costumavam se reunir na subida do
Morro de São Carlos, no Estácio - um dos pontos quentes
de um Rio de Janeiro que vivia mil transformações e transgressões.
Acabaram inventando a Deixa Falar. |
||||
|
Os
botequins na esquina da Rua Maia Lacerda, perto da Praça Onze
e da Zona do Mangue, atraíam malandros de todas as partes do
Rio, alguns deles excelentes sambistas. Vinha gente de Benfica, Madureira,
Providência e Gamboa. Ali era cenário para o meretrício
e para as rodas de carteado. Essa vida noturna intensa garantiu ao
Estácio a aura de Berço do Samba carioca - aquele que
conhecemos até hoje, dolente, pausado e marcado por instrumentos
de percussão.
|
||||
|
||||
Aí a malandragem se
criou. E no Estácio criou-se o grande Ismael Silva, grande "bamba" e
um dos fundadores da agremiação carnavalesca supracitada. "O
samba moderno nasceu no Estácio. O bum, bum, paticumbum,
prugurundum é Ismael Silva. As primeiras escolas de samba se apropriaram
da estrutura dos cortejos e apressaram a linha melódica para andar,
pular e dançar", explica o pesquisador Carlos Nogueira, autor
da tese No São Carlos era assim .... Para Nogueira, o samba "tem
relação direta com as favelas por causa dos negros. A maioria
dos ex-escravos subiu os morros. E onde passou o negro tem uma semente
do samba", afirma. |
||||
| O Estácio e suas principais agremiações carnavalescas: | ||||
|
||||
Cada Ano Sae Melhor: Tinha
como cores o verde e rosa. Como a Deixa Falar, também foi fundada em 1928. Nascida
na localidade conhecida como "Beco da Padeira" (atual "Capela"),
no Morro de São Carlos. |
||||
Vê se
Pode: Teve seu nome mudado posteriormente
para "Recreio de São Carlos". com as cores verde e branco,
foi fundada em 1929, no local conhecido como "Atrás do Zinco",
também na comunidade do São Carlos. |
||||
Paraíso
das Morenas: A caçulinha,
nascida no "Larguinho" em 1947, com as cores azul e rosa. |
||||
G.R.E.S.
Unidos de São Carlos: Fundada em
27 de fevereiro de 1955, como resultado da fusão das três últimas
agremiações citadas acima e com as cores azul e branco.
Mudou as cores para vermelho e branco e o nome para: |
||||
|
G.R.E.S.
Estácio de Sá: Adotado em 1983 com a intenção
de retratar a nova realidade da Escola, que passou a contar com integrantes
de toda a região do entorno do Estácio. Campeã do
carnaval de 1992 comemorou, em 2005, o cinquentenário
da fusão das três escolas.
|
| Histórico Resumido da Agremiação: | ||||
|
||||
Na comunidade do Morro de
São Carlos, existiam
outras Agremiações, a exemplo de “Cada Ano Sae Melhor” (1928), “Vê se
Pode” (1929) (nome mudado posteriormente para “Recreio de
São Carlos” por imposição do Chefe de Polícia)
e o “Paraíso das Morenas” (1947). Estas Agremiações
disputavam regularmente os desfiles das Escolas de Samba com Mangueira,
Portela, Azul e Branco do Salgueiro, Depois eu Digo, Unidos da Tijuca,
Filhos do Deserto, entre outras. |
||||
Houve um tempo de disputas
acirradas entre o “Cada
Ano Sae Melhor” e o “Recreio de São Carlos”,
porém, com o passar dos anos, casamentos e outros relacionamentos
de parentesco e afetivos diminuíram as diferenças existentes,
resultando na idéia da fusão das escolas de samba surgidas
no Estácio, inclusive o “Paraíso das Morenas”.
Desta maneira, em 27 de fevereiro de 1955 é fundado o Grêmio
Recreativo Escola de Samba Unidos de São Carlos, nas cores azul
e branco. Em 1965, retorna o vermelho e branco, por influência
de Judson Magaxe, empresário das Casas da Banha e de um grupo
que desejava as cores originais da primeira Escola de Samba, a Deixa
Falar. |
||||
O atual nome - Grêmio Recreativo Escola de
Samba Estácio de Sá - foi adotado em 1983, principalmente
por se acreditar que seria uma maneira de retratar melhor a realidade
da Escola, que contava, já à época, com integrantes
e simpatizantes que iam além das fronteiras do Morro de São
Carlos. A partir daí, a agremiação foi gradativamente
conquistando seu espaço no cenário principal do carnaval
carioca, tendo alcançado de forma brilhante o título de
escola campeã do carnaval de 1992. Os componentes da Agremiação
são, em sua maioria, das comunidades que compõem o Morro
de São Carlos, Estácio, Cidade Nova, Catumbi, Rio Comprido,
Tijuca, Santo Cristo, Praça da Bandeira e Centro. |
|
Às vezes acontece... Por Evaldo Rui (1913-1954) |
||||
|
||||
Ele usa chapéu de feltro marrom, combinando
com o seu terno também marrom e sapatos da mesma cor. O que estarão
dizendo neste justo momento? Impossível reproduzir, porque, como
disse acima, a minha presença significava nada. E, depois, quem
sou eu para aproximar-me assim, sem mais nem menos, dos reis do samba?
Limitava-me à contemplação muda e muito satisfeito
ficava cada vez que um olhar deles pousava sobre a minha insignificante
figura. Mesmo sem saber o que conversavam, eu podia adivinhar. Havia
de ser sobre música e, essencialmente, samba. Não era possível
que dois grandes daqueles conversassem sobre coisas chatas, como, por
exemplo, a sucessão presidencial, a reforma do ministério,
o custo de vida e outros assuntos mais bestas ainda. Eles deviam estar
falando de samba! Daquele sambe que o Brasil inteiro cantava. Daquele
samba que, assim que ficava pronto, escorria pela garganta de Francisco
Alves, pela garganta de Mário Reis. Daquele samba, como igual
já ninguém sabe fazer, nem eu, que procurei aprender com
eles. Nem Bide, que acabou por perder a fórmula. |
||||
Talvez, naquele instante,
eles estivessem dando os últimos retoques no Se Você Jurar.
Talvez estivessem arranjando uma rima melhor para a palavra saudade.
Talvez estivessem
estudando um plano para atacar de frente o último sucesso de Cartola,
que era o rei da Mangueira. E eu ali, firme, procurando disfarçar
a minha curiosidade, aguardando o momento em que os dedos ágeis
e cheios de ritmo dos dois mestres começassem a tamborilar sobre
o mármore da mesa. Às vezes, a espera era inútil.
Na maior parte das vezes, eu era recompensado, e ali ficava esquecido
da tarde, do estômago, das coisas, ouvindo melodias que mais tarde
tentei compor iguais, mas, qual o quê! Cadê talento? Cadê bossa?
Cadê aquele toque de genialidade tão necessário?
Mesmo assim, aprendi muita coisa nas portas do Café do Compadre.
Aprendi, por exemplo, qual a diferença entre o bom, o puro samba,
e o mal, o falso samba. Conheci Ismael, conheci Nílton, Bide,
Rubem, o inigualável Edgar, Aurélio, Brancura, Baiaco,
e tantos outros que sem querer torceram o meu destino, o destino de um
rapaz que fatalmente terminaria chefe de seção da Light
e que hoje não passa de um sambista, um sambista que nunca conseguiu
um lugar nas mesas do Café do Compadre. |
||||
|