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Sinopse: O enredo que a Estácio de Sá levará para a avenida no Carnaval 2003, contará a história de Cachoeiras de Macacu, desde sua fundação até os dias de hoje. Começaremos nossa história logo após a expulsão dos franceses e a fundação da Cidade do Rio de Janeiro, que ocasionou a divisão territorial denominada de "Sesmarias", lotes de terra presenteados aos fidalgos em função da ajuda recebida nas batalhas, que se transformaram em proteção territorial na pirataria do Pau-Brasil e em incentivo ao plantio da cana-de-açúcar. Acompanharemos as expedições entradistas em busca do sonho do EL DORADO, que os espanhóis, ora dominantes por conta da anexação do Reino de Portugal e conseqüentemente do Brasil, obsessivamente buscavam pelo interior do país. Veremos que o Fidalgo Fernando Ozoro recebeu uma dessas "Sesmarias" e as repassou a D. Miguel de Moura, que fundou um povoado aos pés da Serra dos Órgãos, chamada de Muralha por sua inexpugnável situação. Relatava-se que depois da Muralha havia um lugar repleto de rios e cachoeiras, repletos de ouro, prata e pedras preciosas. Os índios Puris davam como certa a informação de que lá se encontrava o famoso ELDORADO. Partiram os entradistas esperançosos, mas nada encontraram. Depois do fracasso da expedição, as terras do povoado ora denominado de Vila de Santo Antônio de Sá, são vendidas aos jesuítas que mudam o nome da Vila para Santo Antônio de Carecibu e ali tentam construir um colégio dos Jesuítas, mas não conseguiram converter índios suficientes para terminar a obra. Surge deste fato a lenda da pedra do colégio, onde haveria uma caverna sagrada aos índios na base da pedra, usada pelos padres nas cerimônias de conversão. Numa noite de tempestade, uma parte da pedra desabou soterrando a entrada da caverna. Sem seu lugar sagrado os índios se negavam à conversão e os jesuítas ficaram sem mão de obra para terminar o colégio. A continuidade do domínio espanhol complica a crise do mercado escravagista e, mesmo com a restauração da Coroa Portuguesa com D. João IV, a situação do Brasil continua Grave. Os holandeses cortam o principal porto de escoamento de negros e os índios voltam a ser escravizados, sendo caçados ininterruptamente pelos bandeirantes. Os Jesuítas assistem a derrocada de anos de trabalho ao verem índios catequizados ou não, serem escravizados. Logo depois, os Jesuítas são expulsos do território português e de todas suas colônias. Estas rusgas entre bandeirantes, Entradistas e Religiosos, desencadeia a famosa Guerra do Emboabas, ocasionando o fechamento dos caminhos de São Paulo para o interior, forçando cariocas e fluminenses a traçarem novas rotas de exploração. Isso alavanca o crescimento da Vila de Santo Antônio de Caceribu que formava uma dessas novas rotas. O sonho da riqueza não se apagava e até os negros escravizados mantinham uma lenda, a da Mãe do Ouro que relatava que em noites muito escuras e sobre o descampado, apareciam luzes douradas que guiavam os escravos a uma gruta onde existiria o ouro que os levaria a alforria. Com a descoberta de um local repleto de jazidas e minas de ouro (As chamadas Minas Gerais) a Coroa decide cobrar uma taxa de redízimo, o que acarreta em protesto e emboscadas às rotas de escoamento do ouro através de São Paulo. Enquanto isso, uma nova ordem religiosa se formava, a ordem terceira do Carmo ou simplesmente Ordem das Carmelitas, cujo convento se instala na Fazenda da Papucaia, situada na região da Vila de Santo Antônio de Caceribu. A Fazenda é renomeada como Fazenda do Carmo. Do Outro lado da fazenda, uma pequena igreja se torna depósito de forasteiros infectados pela febre amarela, para que lá tenham uma "boa morte". A tal igreja é então batizada como "Igreja de São José da Boa Morte". Por essa época, a rota do ouro foi mudada, sendo bloqueado o caminho velho de Minas a São Paulo. Já existia uma trilha que subia a serra dos Órgãos e atingia Minas, e instituiu-se um "Caminho Novo", que dividia-se em duas rotas: Uma passando pela atual Petrópolis e outro, passando por santo Antônio do Caceribu (atual caminho para Teresópolis). A Vila de Santo Antônio já possuía estrutura para receber os viajantes, tornando-se uma das passagens prediletas. Tornando-se pousada para os artistas e comerciantes, além de escoamento para o ouro e as pedras preciosas, sofre bastante influência cultural e religiosa e mergulha no Barroquismo. Mas, alegria dura pouco. Com a queda da produção Mineira e o já extinto ciclo da cana, a região mergulha numa crise só amenizada com a transferência da Corte para o Rio de janeiro. O Clima quente faz com que a Corte se acostume ao retiro de Verão ocasionando a construção do chamado "Caminho do Imperador", que coincide com a fundação da cidade de Friburgo. A Corte, então, transferia-se em peso para Petrópolis ou Teresópolis, para aproveitarem os banhos nas piscinas naturais e apreciarem as belezas das cachoeiras locais. A economia da Região, no entanto, só se refaz com a chegada da Linha 3 da Leopoldina e a instalação feita pelos ingleses da primeira oficina de manutenção de trens da Região, fazendo com que se estabeleça no local alguma estabilidade. Por esta época, a Vila passa a ser chamada de Vila de Cachoeiras de Macacu, nome indígena referente á uma árvore sagrada para os índios, uma espécie tintória semelhante ao Pau-Brasil. Em 1929, a Vila recebe a categoria de cidade e passa a ser oficialmente Cachoeiras de Macacu. Mas, Cachoeiras de Macacu não é só passado. Sua parte fluvial, importantíssima, conta como principal afluente o Rio Guapiaçu. São alimentados por 36 rios e nascentes e, entre cachoeiras e cascatas, contam-se 84 quedas, além de 15 piscinas naturais e cachoeiras esplêndidas. Trinta e cinco por cento da região é coberta por marta atlântica e, suas áreas restritas formam verdadeiros refúgios para espécies raras da fauna e flora, onde encontram-se em grandes quantidades Jequitibás, Ipês, Bromélias, Orquídeas e animais como Onças Pintadas, Jaguatiricas, Lontras, Micos da Cara Branca, Veados Campeiros, Ariranhas, Tucanos e Micos Leão Dourados, todos fazendo parte de um empenho conjunto para sua preservação. Essa maravilhosa região é tombada pela ONU e UNESCO e tem apoio de ONG'S como a Prisma e a Reserva Ecológica Guapiaçu. Há ainda, a pesquisa que se faz das espécies de pássaros contando 410 espécies catalogadas na região. Por fim Cachoeiras de Macacu recebeu com muita felicidade a maior cervejaria da América Latina, a SCHINCARIOL, cuja fábrica é alimentada com as águas do Rio do Gato, que foi o escolhido por suas águas cristalinas do mais alto teor de pureza mineral, o que em muito contribui para a excelência do sabor da cerveja aqui produzida. E, talvez, o fato mais importante atualmente: a região foi alvo recentemente de uma inigualável honraria: Por possuírem o maior parque ecológico de Mata Atlântica do País, os municípios de Petrópolis, Friburgo, Teresópolis, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu, formam a chamada Coroa de Cinco Pontas, numa alusão à forma da Coroa Imperial, por ser esta região intimamente ligada á vida da Família Real. Por ter a maior parte da reserva situada em seu território, Cachoeiras de Macacu é considerada a "Jóia da Coroa Imperial". Estes são os motivos para nossa escolha em retratar Cachoeiras de Macacu em nosso enredo: Estórias de batalhas e conquistas refletidas nas águas cristalinas de um município que pode se orgulhar de ser chamado de "Jóia". A preservação de sua história, sua fauna e sua flora, que fazem parte de um patrimônio que é motivo de orgulho para todos nós brasileiros: a criação da Maior Reserva Ecológica de Mata Atlântica do País. Mas a verdadeira honraria é nossa, termos o privilégio de cantar em forma de samba esta homenagem ao município que soube crescer, abrir-se ao progresso sem descuidar de sua maior riqueza, a natureza e, se em algum momento esta riqueza foi mal explorada, cachoeiras de Macacu teve a consciência de preserva-la a tempo. E é com imensa alegria, banhados de samba suor e cerveja, que vamos cantar ao mundo as estórias da "Jóia da Coroa Imperial" cachoeiras de macacu, Um banho de Natureza! Roberto Szaniecki |
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