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Estácio de Sá, a pioneira

 

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Em sua bandeira, a Estácio de Sá carrega o nome do fundador da cidade do Rio de Janeiro, mas sua história se confunde, sobretudo, com a formação das escolas de samba. A explicação é simples: "Vem de lá, vem de lá", a origem da vermelha-e-branca. É a Deixa Falar, considerada por pesquisadores como a primeira de todas.

A Praça Onze, reduto do samba, da batucada e do candomblé, foi palco de personagens clássicos do mundo do samba como Tia Ciata, Donga e Sinhô. Ali pertinho, nas ruelas do bairro do Estácio de Sá, nasceu a Deixa Falar em 12 de agosto de 1928. Um dos seus fundadores é Ismael Silva, sambista de Jurujuba-Niterói que se mudou ainda criança para a região do Rio Comprido na década de 1920. Inicialmente, a Deixa Falar era bloco, mas logo se tornou escola de samba. Dentre tantas versões do surgimento do termo, a mais famosa é a do próprio Ismael, que teria feito uma analogia a uma escola normal que funcionava no bairro. Para ele, a Deixa Falar era como um celeiro de "professores do samba".

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Como escola, a Deixa Falar desfilou pouco - apenas nos carnavais de 1929, 1930 e 1931 -, e sequer chegou a participar do primeiro desfile oficial, organizado pelo jornal "Mundo Sportivo", em 1932. No entanto, foi referência para o surgimento de outras agremiações no Rio de Janeiro, inclusive no próprio morro de São Carlos, base da atual Estácio de Sá. Lá, foram fundadas outras escolas que faziam sua folia na disputa pelo título, como "Cada Ano Sai Melhor", "Vê se pode" (posteriormente "Recreio de São Carlos") e o "Paraíso das Morenas". Os laços quase consangüíneos falaram mais forte e, em 1955, essas escolas se uniram para formar a Unidos de São Carlos. Desde então, o efeito ioiô, aquele sobe-e-desce de grupos, pontuou a história da São Carlos, mas nem por isso deixou de fazer bonito no desfile principal. Dois exemplos são notórios e foram reeditados recentemente: "A festa do Círio de Nazaré", em 1975, e "Arte Negra na Legendária Bahia", de 1976, obras que retornaram à Avenida respectivamente com a Unidos do Viradouro, em 2004, e com a própria Estácio de Sá, em 2005.

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Logo depois do carnaval de 1983, mais uma mudança: a Unidos de São Carlos vira Estácio de Sá. Suas cores, antes azul e branca, voltam a referenciar a herança direta da Deixa Falar, e o "pavilhão do amor" balança novamente em vermelho e branco. A troca no nome era para adequar a escola à sua comunidade, que já contava, na época, com integrantes e simpatizantes que iam além das fronteiras do Morro de São Carlos.

Em sua nova fase, a Estácio, já no desfile principal, tomou características de uma escola leve, descontraída e irreverente, mas nunca emplacando uma posição de grande destaque - no máximo, o quarto lugar com a primeira versão de "O tititi do sapoti". Mas, em 1992, veio a surpresa que ninguém esperava. Quando todos davam como certo o título para a Mocidade Independente de Padre Miguel, a Estácio correu por fora e faturou o título, com o enredo "Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil". Este é o único campeonato da Estácio de Sá no Grupo Especial.

Em 1997, o Leão sofreu um baque e retornou ao Grupo de Acesso A, onde permaneceu por nove anos. Chegou a ir para a terceira divisão do samba, o Grupo de Acesso B, em 2005. Sua retomada ascendente, campeã dos Grupos de Acesso em 2005 e 2006 culminou em seu retorno à elite do samba. No Carnaval 2007 a escola reeditou no Grupo Especial o inesquecível enredo "Tititi do Sapoti". Mesmo após um desfile que sacudiu a Marquês de Sapucaí, a Estácio de Sá retornou ao Grupo de Acesso.

Em 2015, com enredo em homenagem aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, a escola do Morro de São Carlos venceu a Série A e garantiu a oportunidade de desfilar mais uma vez na elite do carnaval. Assim foi em 2016, em um emocionante enredo sobre a história de São Jorge, o Santo Guerreiro.

Estácio de Sá - O verdadeiro Berço do Samba

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O bairro do Estácio de Sá é indiscutivelmente o berço do samba carioca. Centro da grande "malandragem" do princípio do século, vizinho da Praça Onze e do Mangue (Zona), foi passagem de todos os grandes sambistas que, na época, surgiram no Rio - da Mangueira à Portela, passando pelos compositores e cantores do rádio que, em pleno desenrolar da "década de ouro do samba", lá iam garimpar a base de seu repertório, sambas maravilhosamente eternos. Francisco Alves, o Rei da Voz, cantor mais famoso do Brasil à época, é o principal exemplo.

Os botequins da região, a proximidade com a Praça Onze e da Zona do Mangue, atraíam malandros de todas as partes do Rio, alguns deles excelentes sambistas. Vinha gente de Benfica, Madureira, Providência e Gamboa. Ali era cenário para o meretrício e para as rodas de carteado. Bar Apolo, Café do Compadre...a vida noturna intensa garantiu ao Estácio a aura de Berço do Samba carioca - o “samba de sambar” aquele que conhecemos até hoje, dolente, pausado e marcado por instrumentos de percussão.

Não é à toa que a malandragem sempre esteve associada ao Rio de Janeiro, berço do samba. Tampouco é fruto do acaso o fato de a primeira escola de samba carioca, a "Deixa Falar", ter nascido no bairro do Estácio, tradicional reduto da massa de desocupados e trabalhadores informais, dedicados a jogatina e exploração de mulheres naquele alvorecer dos anos 30. Eram os chamados "bambas" que se reuniam nos botecos em culto à boemia e tudo mais que estivesse associado. O início resume-se nas destacadas figuras de Mano Edgar, Alcebíades Barcelos (Bide), e seu irmão Rubens, Armando Marçal, Ismael Silva, Baiaco, Brancura e tinha como frequentador Juvenal Lopes ("Nonel do Estácio ou "Juju das Candongas"), que mais tarde se mandou para a Mangueira, onde chegou à presidência e Heitor dos Prazeres.

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A reunião que fundaria o bloco carnavalesco foi realizada no dia 12 de agosto de 1928, no nº 27 da Rua Maia de Lacerda, casa de um sargento da Polícia Militar, pai do saudoso Bijú, senhor Chystalino. Como nas imediações funcionava uma Escola Normal que formava professores para a rede escolar, Ismael Silva resolveu batizar seu grupo de Escola de Samba. “Havia aquela disputa com Mangueira, Oswaldo Cruz, Salgueiro, cada um querendo ser melhor, e o pessoal do Estácio dizia: deixa falar, é daqui que saem os professores. Daí é que veio a ideia do nome escola de samba”, conta o compositor ao jornalista Sérgio Cabral em seu livro As Escolas de Samba (1974).

A Deixa Falar durou pouco tempo, desfilando na Praça Onze nos carnavais de 1929, 1930 e 1931, e nem chegou a participar do primeiro concurso das Escolas de Samba do Rio, organizado em 1932 pelo Jornal Mundo Sportivo, pois preferiu passar para a categoria de rancho carnavalesco. No entanto, foi uma referência para o surgimento das outras Escolas, inclusive no próprio morro. Ainda no ano de 1932, o bairro do Estácio de Sá foi ali representado pela Para o Ano Sai Melhor (também chamada de Segunda Linha do Estácio). A agremiação terminou empatada em segundo lugar com a Vai Como Pode, que mais tarde se tornaria a Portela.

O tempo passou e surgiram outras escolas na favela, mas a maioria não se misturava muito entre si. Quem saía dentro da corda mesmo eram o baliza Gaguinho, a porta-estandarte Caboquinha, o Chico Macaú que encourava barricas de vinho para a bateria reforçada do Bloco da Carestia, em cuja casa havia Umbanda, Congo e Caxambu e a gente que vinha dos trabalhadores do cais, operários, artesãos, gráficos e ambulantes aos quais se juntavam malandros, cafetões e boêmios em geral. Entre as cabrochas: Atanazia do Nino, Celeste, Rosália, Odetinha, Agripina, Julieta, senhoras de respeito que faziam o coro de canto ou a fila de baianas. Entre os malandros batuqueiros, Bujú Velho, Gaguinho, Paulo Grande, Dadá Mulato, Alemãozinho, Neca Bonito e o maior malandro de todos os tempos do Estácio, Nino da Atanazia. Tinha ainda os mais esquecidos, os importantíssimos homens da corda como Jorge Burundú (da "Cada Ano Sai Melhor"), João Pimentão (da "Paraíso das Morenas"), e o Milú (da "Recreio de São Carlos"), gente que fazia questão de se expor, brigar, sofrer e carregar aquela estiva toda, ida e volta.

Após a "Deixa Falar" surgiram várias agremiações no bairro do Estácio como "Cada Ano Sae Melhor", "Sem Você Eu Vivo Bem", "Vê Se Pode" que se transformou na "Recreio de São Carlos", "Paraíso do Grotão" e "Boi Azul".

Em 27 de fevereiro de 1955 surgiu a "Unidos de São Carlos", criada a partir da fusão das escolas "Cada Ano Sai Melhor", "Paraíso das Morenas" e "Recreio de São Carlos".

Houve um tempo de disputas acirradas entre a Cada Ano Sai Melhor e a Recreio de São Carlos. Porém com o tempo os casamentos e outros relacionamentos de parentesco e afetivos diminuíram as diferenças e um grupo de amigos liderados José Coelho, Manoel de Almeida (Bacural), Aurelio, Galdêncio, Miro, Antonio José de Brito, João Pintor, Maurício, dentre outros, resolveu propor a fusão das três escolas de samba. E assim nasceu a Unidos de São Carlos em um domingo, dia 27 de fevereiro de 1955.

Como se vê, até a fusão que culminou com o nascimento da Unidos de São Carlos existiam as antigas as agremiações. Após muita discussão decidiu-se por nome e cores a Unidos de São Carlos nas cores azul e branco e com sede na rua Major Freitas.

Não foi nada tranquila até se chegar às cores e o nome. Grupos contrários principalmente da extinta Cada Ano tentavam boicotar a reunião da fusão que ocorria na subida da rua Major Freitas.

Tudo acabou com a sugestão de Manuel Bacural e José Coelho indicando por aclamação Waldomiro Ribeiro, o Miro, e de que a sede da Unidos de São Carlos seria na rua Major Freitas, da extinta Cada Ano Sai Melhor.

Como devida homenagem devemos lembrar os vários componentes daquelas extintas agremiações do passado. Alguns componentes estarão listados em mais de uma escola por motivos de brigas momentâneas. Casamentos e “amigações” ou outras formas de relacionamentos de cunho religioso na Umbanda e no Candomblé.

CADA ANO SAI MELHOR

Dona Eutanazia (uma das mulheres do Nino, o Satiurnino da Mangueira e grande batuqueiro da Praça Onze). Miquimba, Gunã, Dádá e dona Hermengarda, Áurea, Pequenino, Galdino, Jorge Pequeno, Nelson Sapo e Eponina, Nelson China e Durvalina, Domingos, Zacaria, Joel Xangô, Vadinho, Bicho Novo e Odetinha, Dami, Aristóteles, Nô e Jorge Cornélio, Miro e Alice, dona Yolanda e seu Joca e dona Alaíde, Titico, Jorge Canário, João Luis dos Santos (Joãozinho Compositor), Repolho (José Garcia Gomes) e Hilda.

VÊ SE PODE – RECREIO DE SÃO CARLOS

Manoel de Almeida Bacural e dona Praxedes de Almeida, Brinco (diretor de harmonia), Nonô (diretor de bateria), Simplício, os irmãos Francisco (Chicão) e Humberto de Assis, Jurandir (tocador de prato de cozinha), Mira e dona Joana, Bucy Moreira (neto da Tia Ciata), Chico e dona Santa, Belzia Paranhos de Menezes (que saia como baliza ou mestre sala desde o ano de 1929), Tertuliano da Silva  Menezes (Tertúlia), Celeste e Ruth, Felipe e dona Nica, dona Santa e Porfírio, Walter Anão e Tinque, Cacilda e Nonô, Jaburu (o Otaviano), Dona Maria, Dulce, Altair  e Arilda, Leopoldina e Ortivo Guedes (o Pequenino), dona Maria e seo Egydio Ramos,  Alfredinho, Haroldo Alves Bittencourt, o Milu, Orlando Macuco, Alcides,  Robertinho, Bimba, Roxinho, Nonô, João Luis dos Santos (Joãozinho), Esquisito, Borboleta, seo Baiano, Jovino Hilário da Costa, José Coelho, José do Espírito Santo( Pafuncio), Zizinha e Sinhá.

PARAÍSO DAS MORENAS

Aurélio, dona Yolanda e Paquito, Almofada, Milta, Linda, Wilson da Bandola, Zefa, João Pintor, Lustroso, Nozinho, Cavuca (PRIMEIRO CIDADÃO SAMBA) e Fiota, Jorge Canário, Jorge Cabo e Manoel Trovão, a Muda, irmão do Aurélio e Bola Sete

Em março de 1983, a "Unidos de São Carlos" passou a se chamar Estácio de Sá.

O Estácio e suas principais agremiações carnavalescas

Deixa Falar: A primeira Escola de Samba foi fundada em 12 de agosto de 1928, com as cores vermelho e branco. Ismael Silva, Alcebíades Barcelos (Bide), Armando Marçal, Nilton Bastos, Rubem Barcelos (Mano Rubem), Edgar Marcelino dos Passos (Mano Edgar), Silvio Fernandes (Brancura), Oswaldo Vasques (Baiaco) e Aurélio Gomes foram seus principais integrantes. Desfilou entre 1929 e 1931.

Cada Ano Sai Melhor: Tinha como cores o verde e rosa. Como a Deixa Falar, também foi fundada em 1928. Nascida na localidade conhecida como "Beco da Padeira" (atual "Capela"), no Morro de São Carlos.

Vê se Pode: Teve seu nome mudado posteriormente para "Recreio de São Carlos". com as cores verde e branco, foi fundada em 1929, no local conhecido como "Atrás do Zinco", também na comunidade do São Carlos.

Paraíso das Morenas: A caçulinha, nascida no "Larguinho" em 1947, com as cores azul e rosa.

Unidos de São Carlos: Fundada em 27 de fevereiro de 1955, como resultado da fusão das três últimas agremiações citadas acima e com as cores azul e branco. Mudou as cores para vermelho e branco e o nome para...

Estácio de Sá: Adotado em março de 1983 com a intenção de retratar a nova realidade da Escola, que passou a contar com integrantes de toda a região do entorno do Estácio.

Departamento Cultural do G.R.E.S. Estácio de Sá

 

Referências

CABRAL, Sérgio. As Escolas de Samba: o quê, quem, como, quando e por quê. Rio de Janeiro: Fontana, 1974.

NOGUEIRA, Carlos. Samba, cuíca e São Carlos. Rio de Janeiro: Oito e meio, 2014.

Depoimento de Ismael Silva ao Museu da Imagem e do Som (MIS), 1969.

BRUNO, Leonardo. “Série especial capítulo 4: a São Carlos vira Estácio de Sá”. Jornal Extra, Rio de Janeiro, publicado em 04/02/2015. Acesso em: 29/08/2018.
Disponível em: https://extra.globo.com/noticias/carnaval/carnaval-historico/serie-especial-capitulo-4-sao-carlos-vira-estacio-de-sa-15236517.html

FRANCESCHI, Humberto. Samba de Sambar do Estácio: 1928 a 1931. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2010.

SIMAS, Luiz Antônio; LOPES, NEI. Dicionário da História Social do Samba. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.

Cores: vermelho e branco

Símbolo: Leão

Títulos no Carnaval:

1965 - Grupo 03
1973 - Grupo 02
1978 - Grupo 02
1981 - Grupo 1B
1992 - Especial
2005 - Grupo B
2006 - Grupo A
2015 - Grupo A

Apelido: Berço do Samba

Menção: 1ª Escola de Samba do Brasil reconhecida pelo IPHAN

Presidente: Leziário Nascimento

Vice Presidente: Nelson Souza

Direção de Carnaval:  Mario Mattos e Valmir Cerilo

Diretor de Barracão:  Roni Jorge

Carnavalesco: Tarcísio Zanon

Intérprete: Serginho do Porto

Coreógrafo Comissão de Frente: Ariadne Lax

Departamento Feminino: Marli Mattos

Velha-Guarda: Marli Monteiro

Ala dos Compositores: Alexandre Naval

Baianas: Maria Luíza

Primeiro Casal: José Roberto e Alcione

Segundo casal: Marcos Ferreira e Laryssa Victoria

Terceiro casal: Thuan Matheus e Crislane Santos

Coordenador de Passistas: Marcos Maya 

Bateria Medalha de Ouro: Mestre Chuvisco

Direção de Harmonia: Saint Clair, Luiz João e Alexandre Correa

Rainha da bateria - Leyla Barros

Rainha da Escola: Jéssica Maia

Diretor de Destaques: Adir Araújo

Departamento Cultural: Rachel Martins e Filipe Medrado

Direção Musical: Marcio Vanderlei

Departamento de Comunicação: Joice Hurtado

“ É! O moleque desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu com a Estácio!”

Setor 1  - O moleque do Morro do São Carlos
Era domingo de Carnaval
O São Carlos estava em festa
O moleque acabou de chegar
Acreditava na vida
Na alegria de ser
Nas coisas do coração
Nas mãos, o muito a fazer
Havia um fogo em seus olhos
Um fogo de não se apagar
Pensava que era um guerreiro
Com terras e gentes a conquistar
Ô, Dina
O menino desceu o São Carlos
Pegou um sonho e partiu
Só quis saber como é
Qual é?

As respostas estavam nos papéis
 Que embrulhavam os peixes
Com as composições escritas por Pafúncio
O vendedor de caranguejos
Com ele o moleque então
Descobriu a Escola de Samba
O que é o Asfalto
A passarela das fantasias
Pierrot, Arlequim e Colombina.
Depois de tanta folia

A lama dos sapatos é a medalha
Que ele tem pra mostrar
Passado é um pé no chão e um sabiá
Presente é a porta aberta
E futuro é o que virá.

Setor 2 - Inchu/ Exú  São Joao, Forró
É Lembrança de Primavera
Tudo agora é flor
A flor da primeira poesia
Entregue nas mãos do Rei do Baião

Não mais pé no asfalto
Agora é pé no chão
Levanta poeira
Pé de serra,  Exú*,
Onde tudo começou...

Luiz respeita Januário
Eu vou mostrar pra você
Como se dança baião
Se quiser aprender
É só prestar a atenção

É tempo de festa
Ela só quer, só pensa em namorar
É tempo de fartura
Choveu no sertão
Floresceu o mandacaru
Chegou São João
Ascende a fogueira no meu coração
Pois minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descaso feliz
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade intonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer
Amargo que nem jiló
Pergunto a Deus
Porque tamanha judiação
Num vendo a luz
Assum preto lamenta um cantar de dor

Setor 3 – Diretas Já
Então cante
Que seu canto é minha força pra cantar
Nas estradas da vida     
Caminhos opostos
Sem jamais deixar de se olhar
Vou sangrando
Coração na boca
Peito aberto
Por favor me entenda
Você merece... Você merece...
Na boca um gosto amargo de fel
Você merece... Você merece...
O diploma de bem comportado

Eu sei que a vida deveria ser bem melhor
Apesar dos pesares
Ainda me orgulho de ser brasileiro
Ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o Leão
Agita na mesa uma batucada
Faz do mundo um bumbo

Evoé!**
Não deixe acabar com seu carnaval
É preciso mais que nunca prosseguir...

Setor 4 – O lado mais doce do compositor
Ciganas estradas
Traçadas nas palmas de suas mãos
Pisou firme, onde bate mais forte o coração
Com permanente vontade de mudar
Seu coração sem limites
Voou, amou, sofreu, sangrou, explodiu!
Coração agora fragmentado
Como pequenas estrelas no céu
Brilha na noite da magia
Onde a fantasia, acende a luz de uma nova primavera
Diga lá!
Que é a Estácio de Sá
Bailando neste imenso salão apoteótico do recomeço
Diga lá pra Dina
Ôõ  êêa
O moleque acabou de chegar
Ôõ  êêa
É nessa cama que ele vai sonhar...

Os versos em negrito remetem à composições de Gonzaguinha. Propositalmente, os carnavalescos optaram por destacar tais versos usando letras maiores que os versos sem negrito
*Exú : cidade natal de Luiz Gonzaga, pai de Gonzaguinha. ( nome dado pelos indígenas, porque a região era apinhada de um determinado tipo de abelhas conhecida como “inchu”)

**Evoé: Grito de felicidade, de alegria; expressão de entusiasmo e exaltação.

SALVE JORGE!
O GUERREIRO NA FÉ.

Introdução:                                        
A sua existência é real ou imaginária? Verdades? Mitos?
Essa história, que desabrochou em nossos dias, correu do oriente ao ocidente, das missas aos rituais, ao longo dos séculos através das religiões, das lendas, do boca a boca, da imagem nos atraindo, seja pelas suas belas características físicas ou pelos seus mistérios.
Todas as religiões em que o santo é reverenciado têm um ponto comum respeitado, o vermelho que predomina em sua capa esvoaçante, despojada, que nos lembra a energia belicosa, agressiva, guerreira, audaciosa, associada à mesma energia do planeta marte, o planeta vermelho, ligado ao seu nascimento.
Marte emite fortes vibrações como também São Jorge, que tem seu nome repleto de energia e só de pronunciá-lo, seus devotos se enchem de coragem. São Jorge é tão amado, tão carismático e tão diversificado que atende aos pedidos dos fracos, desesperados, mendigos e marginalizados. Santo de todas as crenças, de todas as sociedades e raças: São Jorge.
Sua vida, sua caminhada foi breve, mas deixou o exemplo do seu maior objetivo: a aceitação da fé.
São Jorge meu guerreiro invencível, defensor da fé, faz com que seus filhos tenham alma de guerreiro e vivam sempre com esperança sem se cansarem da luta. Salve Jorge.
Setor 1- Capadócia

A Capadócia fica no coração da Turquia, região histórica, no centro da Anatólia central, em uma área onde foi o cruzamento de rotas comerciais entre a região litorânea e a região oriental.
Essa rota nos tempos antigos era utilizada pelos mercadores para comércio de especiarias e produtos vindos do Oriente para a Europa, através do Mar Egeu e Mediterrâneo.
Outra rota era a travessia pelo Bósforo, adentrando pela Bulgária para chegar a Romênia, Áustria e Alemanha.
Capadócia, com seu solo de pedras de fácil manuseio e geografia diferenciada, permitiu que o homem construísse suas moradias, igrejas, labirintos; enfim, uma verdadeira civilização diretamente na rocha que são chamadas de casas e igrejas “trogloditas”.
Neste berço de pedras por onde passaram várias civilizações, nasceu Jorge no ano 275 D.C. , teve uma educação de muito esmero, requintada e auxiliada pelos sacerdotes, enquanto esteve com sua mãe na cidade de Lidia, após a morte de seu pai que era militar.
Na adolescência, Jorge, ariano, recebe do planeta Vermelho vibrações e energias, fazendo sua natureza aguerrida, ingressou na carreira de armas, logo foi promovido a capitão do exército Romano do imperador Diocleciano e por sua dedicação e qualidade foi agraciado com título de conde da Capadócia, chegando aos 23 anos exercendo a função de tribuno militar.
Fiel a sua fé, após a morte de sua mãe, mudou-se para corte do imperador e distribuiu toda sua herança aos cristãos pobres que já sofriam crueldades da época. Nesta ocasião desentendeu-se com o imperador e declarou a fé em cristo.

Setor 2- Martírio e a Fé

Jorge, ao se declarar cristão e não abdicar de sua fé, causou grande fúria ao imperador que tentou por várias vezes induzi-lo a desistir de sua crença e passou a ser seu tirano com infinitas crueldades, começando aí seu martírio.
Por ordem do imperador, começa o ciclo de torturas ao jovem incorruptível que era perguntado se renegaria a Jesus. Das pontas de lança que se desdobravam, esmagamentos com grandes pedras, rodas gigantes cheias de navalhas, enterrado vivo em uma fornalha de cal virgem, chinelas de pedra ardente, fez com que o imperador achasse que ele conhecia e praticava a arte da magia. Foi chamado um mago mágico alquimista, pois atribuía à magia a sobrevivência do jovem santo. Depois de enfrentar sua fé com vários truques, como porções de veneno para ressuscitar defuntos, acabou convertendo o mágico para o bem. O imperador furioso ordenou que fossem os dois decapitados.
 Mais uma prova foi imposta a Jorge com seu consentimento. Após ter sonhado com o senhor, foi levado onde estava a estátua de Apolo para mais um sacrifício segundo a vontade do imperador.
Jorge estende sua mão e indignado com o demônio que estava dentro da estátua, após um duelo, teve uma conversa prolongada com o ser do mal. O ídolo ruiu.
Entregou sua alma nas mãos dos anjos em 23 de abril fazendo uma excelente confissão de fé pura e sã, no ano 303 D.C., terminando seu calvário que durou sete anos.
No século V, a fé ao santo da Capadócia já havia se espalhado e existiam mais de 50 igrejas dedicadas a ele.

Setor 3- São Jorge no mundo.
São Jorge é padroeiro de vários países e cidades, destacando seu patronato na Inglaterra, Portugal e Catalunha.
Entretanto, sabemos que ele também é padroeiro dos escoteiros, de vários exércitos, das cavalarias, Jarreteiros e até time de futebol.
Na Armênia, em Bizâncio, no estreito de Bósforo, na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da igreja Católica, o mártir cristão.
Acredita-se que o santo teria sido escolhido para ser padroeiro do reino quando o Rei Eduardo III fundou a ordem das Jarreteira, também conhecida como ordem dos cavaleiros de São Jorge. No século VI, em Camelot, o Rei Arthur teria colocado a imagem de São Jorge em sua bandeira.
O Rei inglês Ricardo I, comandante de uma das primeiras cruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentaram reconquistar a Terra Santa dos mulçumanos.
 A cruz foi para a farda e bandeira das cruzadas por devoção do rei.
Na Catalunha, o dia 23 de abril é dia de São Jorge, da rosa, do livro, do amor e da cultura, a data ainda coincide com a morte de Cervantes e William Shakespeare, os dois grandes homens das letras.

Setor 4- São Jorge e a lenda.
Vários milagres e outras tantas lendas foram atribuídas a São Jorge, sendo a mais famosa e interessante, a que relata a sua luta contra o dragão. O dragão, o cavalo e o guerreiro são três símbolos muito fortes nesta lenda: o dragão representa a idolatria; o cavalo, a Capadócia e o guerreiro, a fé. Nesta batalha, o santo foi protegido repetidas vezes por espinhos de uma laranjeira, vencendo o mal, consegue defender a donzela pura, que confessou acreditar em seu Deus, tornando-se cristã.

Setor 5- São Jorge em terras brasileiras.
Na história, pensa-se que os cruzados ingleses que ajudaram o Rei Dom Afonso Henrique a conquistar Lisboa em 1147 teriam sido os primeiros a trazer a devoção de São Jorge para Portugal.
O Rei D. João I de Portugal era também muito devoto do santo e foi no seu reinado que São Jorge passou a ser padroeiro de Portugal. Em 1387, D. João I ordenou que a imagem a cavalo fosse transportada na procissão de Corpus Christi.
A irmandade de São Jorge cruza os mares, depois de instalada na igreja Nossa Senhora do Bom Parto, no centro do Rio de Janeiro abre suas portas aos negros e a quem trabalha com o ofício de ferro e fogo.
Ele é o ogum, o primeiro, o número um, um defensor desta fé, santo guerreiro, São Jorge do Rio de Janeiro.
O sincretismo religioso acontece como proteção a cultura afro-descendente que começa a travar conexões entre o santo e o Orixá Ogum, dando continuidade a devoção ao santo.
 E hoje... São Jorge, guerreiro incansável, nome repleto de luz contagiante que emite aos sambistas esta mesma coragem audaciosa, fazendo-os incorporar o guerreiro invencível e levar  para avenida uma explosão de energia estampada em seu manto vermelho, onde aconteceu o grande fenômeno:
O sacro e profano se encontram em comunhão de força em forma de oração.
Acordamos com a alvorada 21 tiros para saudar o soldado Jorge, toca o clarinete e o badalar do sino chamando os fiéis.
Pouco a pouco, um a um, embalados nesta fé inexplicável, chegam para a cerimônia que contagia, percebemos que todos têm no olhar a esperança de dias melhores, lutam para matar os dragões que aparecem em nossa caminhada, é a força do guerreiro Jorge estampada em nossos corações.
O carioca se identifica com esta perseverança, não desiste, não desanima, espelha-se em são Jorge com a rosa na mão, a espada no cinto e a fé no coração.
Parece uma miragem quando começa a cerimônia, porque aquelas poucas pessoas que chegaram vão se transformando em uma multidão em vermelho e branco que invade o Rio de Janeiro, onde os fiéis de joelho agradecem ou pedem, mas com a mesma garra que São Jorge teve em sua vida e tudo vira um espetáculo inesquecível, indescritível de beleza e fé.
Somente no Brasil existe a ligação entre lua, dragão e São Jorge. A Estácio que fez “A dança da lua” em 1993 resolveu para esse carnaval apostar nesta lua de fé, que os brasileiros, principalmente os cariocas, envolve este santo guerreiro.” Lua de São Jorge , cheia branca inteira, oh, minha bandeira solta na amplidão” do carnaval 2016.

Salve Jorge!
Salve Estácio Sá!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em breve!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em breve!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em breve!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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